Há palavras que chegam antes da explicação. “Tertúlia” é uma delas. Quem ouve pela primeira vez costuma sorrir, repetir baixinho e perguntar o que significa.

Uma tertúlia é uma roda de conversa em torno de textos. Não é aula, em que alguém fala e os outros anotam. Não é sermão, em que a palavra vem de um púlpito. É uma mesa: pessoas sentadas à mesma altura, com um texto no meio, dispostas a ler, perguntar e ouvir.

A origem da palavra é debatida. A explicação mais repetida a liga a Tertuliano, um dos pais da igreja, que escreveu no norte da África entre os séculos II e III. Na Espanha do Século de Ouro, chamavam-se “tertúlias” as reuniões de eruditos que discutiam os escritos dos pais da igreja. Os linguistas não se entendem sobre o caminho exato, mas a imagem permanece: gente reunida conversando sobre a fé antiga.

Escolhemos esse nome porque ele diz o que queremos ser. Uma casa em que protestantes de diferentes tradições possam sentar à mesma mesa, abrir os mesmos livros e conversar com honestidade sobre o que os une e o que os separa.

Não queremos uma conversa morna, em que as diferenças são escondidas para ninguém se incomodar. Também não queremos um ringue. Queremos o que uma boa tertúlia sempre teve: um texto que merece atenção, perguntas feitas com respeito e a alegria de pensar junto.

E queremos, acima de tudo, lembrar quem está no centro da mesa. Uma mesa, muitas vozes, um único fundamento: Cristo.

Uma leitura também é um convite.